el pajarito venezuelano e Pinóquio nos jardins do Alvorada



Antes de ser candidato, o ex-tenente reformado Capitão louvava Pinochet, Chavez, Uztra, a motosserra, a limpeza étnica. Excomungava quilombolas, homossexuais, intelectuais, e, sobretudo petistas e "esquerdopatas".


Candidato, o Messias levantou as bandeiras anticorrupção (que fazer com as rachadinhas?), a favor da lavajato (como acomodar Moro e controlar a Polícia Federal?), pela nova política (como viver sem o talento de Roberto Jefferson, Ciro Nogueira, Arthur Lira, Gilberto Kassab, Waldemar da Costa Neto, protagonistas e coadjuvantes nas tramas do mensalão e da lavajato, e seus protegidos, na administração do Mito). Ao pé da Santa Cruz ele jurou não se recandidatar (mas como deixar de pensar em 2022? e em 2026? para garantir ao povo o poder). Comprou o manual do liberal ortodoxo, que não teve tempo de ler (mas o que fazer com as Forças Armadas, os efetivos policiais que o mantiveram por quase 30 anos no conforto dos subterrâneos do baixo clero da Câmara, sem quase nada fazer talvez para não se viciar na velha política)


Eleito, passou a agir com a convicção de que é a Constituição. Gostaria mais de ser rei não-constitucional (satisfaria, pelo menos até estourar a disputa sucessória, os príncipes herdeiros). Não deu. Sem problema. El Pajarito Venezuelano chilreou a fórmula: entrega a administração aos militares; arma tuas milícias digitais; estimula a insubordinação das polícias militares; homenageia os milicianos dos bairros; enxerta a Suprema Corte com ministros que lhe sejam terrivelmente leais; coloca no controle do Congresso uma turma canchada e com interesse em fazer letra morta do discurso em nome do novo e contra a corrupção.


Chavez nunca abandonou seu povo, nem a seus profetas. Voltou dos céus dos ditadores como passarinho para iluminar Maduro e ensinar todos os que seguiram ou seguem seus passos para firmarem-se como ditadores eleitos. Se calhar, tem visitado os jardins do Alvorada.

Além dos milicianos, dos toscos, dos radicais da extrema direita, dos olavetes espirocados, dos vendilhões de templos o Obscuro deve sua eleição aos que denunciavam e rejeitavam a corrupção (como estarão vendo agora mais uma tentativa de neutralização da Polícia Federal e a volta de astros e figurantes do mensalão, do lava-jato, e outras ocorrências? o que acharão do encurralamento de Moro com quem tanto se identificam defensores da lavajato?).


E os eleitores de Paulo Guedes, como se sentirão ao constatar que o Posto Ypiranga já não é (terá sido algum dia?) a resposta pras dúvidas e lacunas (não serão poucas) no saber de Bolsonaro a quem - este sim - elegeram presidente?


O desgoverno empilha perdas e cadáveres. Por mais alto que seja - e pode ser - o custo do remédio constitucional do impeachment, o desmonte ou desmoralização das instituições avança cada vez mais rapidamente.





©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso