de frente pro medo


Não é crer em mula sem cabeça, súcubos e íncubos em festim. Mas sobretudo para quem viveu os anos 60, 70 e começo dos 80, o que acontece hoje é para preocupar e mesmo meter medo.


Eleito com 37% dos votos do eleitorado, o Obscuro não governa, limita-se a gritar palavras de ordem para os 20 e poucos por cento que ainda o apoiam. Concita à ação os olavetes, os militares que comprometem suas biografias em cargos políticos de um desgoverno que forceja todos os dias os limites do império da lei, fascistas a granel e os toscos da massa de manobra de sempre.


Os demais 70% defendem o entendimento político em defesa da democracia. No limbo da indecisão, apenas os xiitas do livremercado e os que acreditam na volta imediata e triunfal de Lula.


O tabuleiro se define enquanto se acumulam os mortos da pandemia e as quebras em uma economia que vinha já em queda livre. Blindagens do Centrão em geral não resistem à  primeira virada da biruta. E o silêncio das ruas pode ser tão ilusório quanto os gritos dos apoiadores dedicados, a cada dia menos numerosos, do último monarca absoluto.


A chave parece estar com o poder intimidatório dos militares (haverá Cabos Anselmos para os PMs?) e o poder econômico dos xiitas de Chicago de raiz.

Fora dos manifestos, as linhas de defesa da democracia estão com o Congresso e o Judiciário- esses mesmos cujos vícios, pecados venais e mortais conhecemos e criticamos, e que têm impedido se complete o projeto de implosão da democracia pelo Messias, Jair.


Não espanta haja "dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu". Pro desconsolo do Chico salvou-me hoje a esperança, a teimosa esperança de Walter Hugo Mãe:"Haveremos de devolver o futuro às crianças. E seremos sempre futuros também. Só quem desistiu passou a ocupar seu canto no passado. Marcelino, reassumo meu compromisso com a esperança. Vou escolher sempre minha vida como lugar de semente. No meu medo, Marcelino, muita coragem vai germinar."

©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso