o limite da mentira


Nazistas, fascistas, stalinistas, chavistas, trumpistas e seus aprendizes de feiticeiro usam a reiteração da mentira como atalho para consagração das pós-verdades. Preenchem noticiários com fake news. Entulham a atenção das gentes com pouquicidades, és-não-és, irrelevâncias. E seguem impunes na montagem de impérios da sua vontade absoluta, incontrastável e - quiseram eles - irrevogável.

O velho direito de espernear, o dever de não se calar ante o absurdo, a autodefesa da solidariedade às vítimas de abusos e violações são os limites mais efetivos a esses atentados repetidos à democracia e aos direitos dos homens, de todos os homens.

Quando o porre do poder leva o monarca não-constitucional de plantão a acreditar nas suas mentiras ajuda à cidadania, mesmo que desrespeitada,. Erros inacreditáveis de Bolsonaro I, o Obscuro, de seus ministros-bomba e de seus janízaros ilustram a tese.

O ultrajante plágio de Goebbels levou até o Rasputin da Virgínia a considerar "que o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça". Reconheça-se que o gurú anteviu de pronto a justificada reação de toda a Nação, inclusive do segmento da comunidade judaica que apoiou a candidatura do Capitão na esperança de ver mais uma embaixada transferida para Jerusalém.

O credo econômico liberal do sindicalista dos interesses de militares e policiais transformado em presidente "tal como a nuvem se desfaz e passa (...)"- Jó 7:9, Jó 7:10, apud Google. Que o digam também os caminhoneiros com a tabela reajustada na mão e a polêmica novamente na rua, para desgosto do Doctor Strangelove.

O prometido combate à corrupção e aos malfeitos (recordar é viver...) é reduzido ao tamanho da cápsula de segurança para a defesa de filhos, ministros e assistentes indiciados ou denunciados. Por sorte, para o Capitão, Moro, à falta de alternativa, mostra-se mais contemporizador ou faz cara de paisagem.

Os votos de racionalidade e eficiência administrativa não encontram eco nos já mais de 2 milhões de brasileiros à espera de seus direitos na INSS. A solução espatafúrdia de convocar/convidar/remunerar militares aposentados para um mutirão, bem motivado mas despreparado, é outro exemplo de que Bolsonaro pratica os padrões de administração de caserna: serão talvez suficientes nos quartéis, mas dificilmente se provarão aplicáveis e eficazes na administração pública como um todo.

Mas o Chefe, seus nomeados, os áulicos e os oportunistas começam a acreditar que estão batendo um bolão e que - nisso terão provável e infelizmente razão - o País não será jamais o mesmo após sua passagem. Ironia do destino ou salva-vidas tão providencial quanto inesperado, será muito interessante ver o desgoverno bolsonarista ter de se reajustar em áreas chave como o combate à corrupção, a defesa do meio-ambiente, a promoção da ciência/tecnologia/inovação, o respeito aos Direitos Humanos e à democracia para completar, com êxito, seu ENEM para a OCDE...


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso