o Posto Ipiranga, Joãozinho e o Dr. Strangelove


O Posto Ipiranga apropriou-se do apodo que lhe foi dado por Bolsonaro I. E não economiza nos testemunhos de lealdade: ele só apresenta ideias, quem decide é o Capitão que tem voto e entende de política. É a dupla dinâmica: o Presidente que não sabe nem quer saber de economia, e decide sobre o que será ou não feito; e o Ministro da Economia que se diz um mero técnico, com experiência prévia no Chile de Pinochet.

Mas com toda a disciplina e toda a obediência jurada, o Ministro não se dispõe a abrir mão de suas propostas maiores. E mesmo lembrando que falar de CPMF dá em destituição, solta os balões de um imposto sobre transações digitais do qual não estariam livres nem os traficantes, nem os meninos do limão na feira. Um pouquinho só de todos em cada transação é tudo que nos pede. Ou: o imposto sobre a grande pobreza para aliviar a taxação das grandes riquezas.

Tampouco deixa de lembrar a necessidade de se ensinar aos pobres a economizarem, como fazem os ricos que exatamente por isso o são. A Nação só conhecerá a prosperidade quando a previdência contributiva for completamente substituída pela capitalização individual. Da ótica do Assessor, importa a beleza da teoria. Como diria Nelson Rodrigues, tanto pior para os fatos se os pobres se negam a poupar, ou se os empregos desaparecem no sorvedouro da informalidade, da terceirização e da falta de qualificação da mão de obra para as vagas ofertadas.

Nesses momentos o Posto Ipiranga lembra o Joãozinho - para outros o Juquinha - das piadas. E a sua impertinente renitente teimosia.

Dá para assustar: lembra também o Dr. Strangelove.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso