manual do desastre perfeito, ou quem vai pagar essa conta?


(foto de Stock)

O Posto Ipiranga erra cada vez mais, e aumenta o prejuízo. Em uma semana conseguiu dois novos "strikes" para o desastre perfeito. Desprezando os manuais para ministros da economia deitou falação sobre cambio e empurrou o dolar ladeira acima. O sinal de instabilidade, mais do que o tipo de câmbio, deprecia o Brasil como opção de investimento. Passo seguinte, Guedes agitou outra vez o espantalho do AI 5. Além de ofender a todos os democratas (liberais ou sociais) com mais essa "normalização" de atentados contra a democracia, colocou em alerta investidores sérios, de fora e de dentro, quanto à estabilidade política do país.

Bolsonaro I, o Obscuro, soltou de vez as bestas feras da cultura, convocou mais exorcistas da civilização e do bom senso, e deu sequência às iniciativas que considerará talvez urgentes para tirar o Brasil da quase catatonia econômica e paliar o desemprego, a pobreza, a miséria renitentes, quando não crescentes: acabar com o seguro obrigatório, as cadeirinhas de bebê, os radares de controle de velocidade nas estradas, sem falar em novas arremetidas em favor do armamento da população e a licença para matar dos agentes da ordem pública. A cerejinha do bolo da semana foi a ideia da criação de "milícias" oficiais para desocupar a toque de bala ocupações no campo.

Olavistas de convicções arraigadas ou desavergonhado oportunismo aparelham também a educação, esvaziam a pesquisa científica e técnica, desconstroem a saúde pública e desmontam programas em execução com maior ou menor êxito. A censura instala-se, insidiosa e mal disfarçadamente, em nome de Deus, da Pátria e da Família.

Isolado no mundo pelo desprezo aos Direitos Humanos, a negação do meio-ambiente, o enfraquecimento sistemático dos mecanismos e instituições de proteção à diversidade étnica, cultural e de gênero, o Brasil põe de quebra todos os seus vizinhos com as barbas de molho com desastradas tentativas de intervenção nos assuntos internos da Venezuela, nas eleições da Atgentina e do Uruguai, e é quarentenado por seus parceiros e contrapartes mundo a fora pela suspeita de sua transformação em mero satélite negligenciável.

Tudo isso em menos de um ano de desgoverno. Inacreditável! Sempre de olho em uma candidatura à reeleição da família que se quer consolidar dinasticamente no poder, e em nome de uma minoria do eleitorado que o elegeu que parece identificar-se orgulhosamente como a milícia dos "bolsonaristas de raiz". O saldo é uma pilha de desastres e um rastro cada vez maior de iniciativas ilegais ou inconstitucionais.

Quem vai pagar essa conta?


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso