ariete ou cavalo de Troia


O programa de estímulo ao emprego de brasileiros de 15 aos 29 anos vem sendo saudado como o esperado ariete contra o desemprego do segmento mais duramente por ele afetado, em que se concentram de quebra os chamados nem-nem, marginalizados do ensino e do mercado de trabalho. Pena que, uma vez mais, a proposta de políticas econômicas pela equipe do Posto Ypiranga venha embrulhada com dúvidas sobre sua eficácia e seus reais objetivos.

Deixemos de lado a questão da falta de reconhecimento dos direitos autorais ao PT e a seu Primeiro Emprego, até porque este último não foi propriamente um êxito e talvez por isso mesmo seus autores ou responsáveis por sua adoção não se apressem a cobrá-los. Mas a experiência do genérico leva necessariamente a questões sobre adequação da medicina ao doente. Faltam empregos porque o trabalho é caro, ou porque a economia mal suspira? Que tipo de emprego poderemos criar dentro do teto de R$1.500,00? É o custo do trabalho de mão de obra de baixa ou nenhuma qualificação que nos faz menos produtivos e os investimentos menos atraentes? E se o programa deslanchar, não teremos como consequência imediata um deslizamento do desemprego mais alto para outras faixas da mão de obra menos jovens?

Com a carteira de trabaho verde e amarela Bolsonaro I, o Obscuro, parece visar, uma vez mais e sempre com os préstimos de Guedes, ao desmonte do que se tem, no caso o código de direitos e deveres trabalhistas, sem que se indiquem com a necessária transparência as condições novas que se quer ver adotadas. Ariete ou cavalo de Troia,o novo surto propositivo tem na ideia de fazer com que descontos no seguro desemprego financiem a proposta sua síntese perfeita e exemplo por excelência do que se pode pensar quando se esquece que, detrás dos números, há pessoas, em sua grande maioria já reduzidas às mais precárias condições de sobrevivência.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso