Solange Escosteguy da cor à palavra


Quinta-feira, dia 7 de novembro, às 18:00 hs, abre na Portas VilaSeca Galeria de Arte, à Rua Mariana 137, a primeira exposição de Solange Escosteguy após seu regresso definitivo ao Rio, em 2017. A curadoria é de Raphael Fonseca.

Desde 1964 Solange tem exposto mundo afora seus trabalhos. Cor, forma, movimento, espaço conjurados em arte para vestir, telas, panneaux, objetos, esculturas. A multiplicidade de suportes, materiais e modalidades de expressão, e uma só linguagem, não-figurativa.

Desde 1971 Solange e eu somos cúmplices “ y en la calle codo a codo somos mucho más que dos” - nos versos de Mario Benedetti – somos pareja. Foi com Pedro Geraldo Escosteguy, médico, poeta, artista plástico, pai de Solange e um grande amigo, que entendi afinal a surpreendente unidade do múltiplo e diversificado trabalho de Solange: “Poeta, não utilizou a palavra para se expressar. Mas conhecedora profunda dos mistérios da composição soube discernir e concatenar no seu caminho plástico as características de sua personalidade , com a manipulação desses segredos.”

Pois os mais recentes trabalhos de Solange completam esse caminho: a palavra, não apenas seu som ou sua escrita, mas também seu sentido e peso, é uma dimensão a mais do trabalho.

Arrisco, em minha vocação do palpiteiro de sempre: a artista seguiu a mulher. Ao longo desses quase 50 anos de cumplicidade, Solange acompanhou-me no trabalho diplomático com sua sensibilidade e criatividade de artista e o entusiasmo de uma ativista cultural em favor das comunidades de brasileiros no exterior e pela divulgação da cultura que é a identidade de todo brasileiro.

Se as esculturas, as anticaixas, os quadros, os painéis, os vestidos, os papéis-machê de Solange Escosteguy eram plasmados na profunda humanidade que anima a obra de arte, é o trabalho mais novo, quando a cor chega à palavra, que dá expressão mais clara à visão política da artista.

Política sem ser partidária. A reflexão madura, temperada de jovial generosidade, carregada de emoção – ainda quando contida – e de empatia pelo próximo, o espectador.

Palavras que estão no mundo, nos sinais das ruas, nos discursos de palanque, nas confissões de amor ou nas ordens do dia. Incorporadas com seu sentido, ou falta de, a uma linguagem de formas, signos, volumes com que Solange ritma o espaço. E a vida.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso