Ai Weiwei e nós também


A exposição de Ai Weiwei no Brasil (no Rio dividida entre o CCBB e o Paço) é a maior mostra do artista/ativista chinês. Em boa parte feita já no País, com o apoio de artistas e artesãos brasileiros para a realização e montagem dos trabalhos. Da bicicleta da infância ao monumento impactante e simples nos aforas do prédio do velho Banco do Brasil, à maravilhosa fotografia do artista atirando-se voraz às melancias e frutas brasileiras, provas sucessivas de que é "claro que a arte pode ser política"

Em cada trabalho, uma denúncia, uma demonstração de fraternidade, um sorriso ou uma gargalhada nervosa ante a realidade do dia-a-dia. Efetivamente a arte é como Ai Weiwei atua e comunica-se, como os seus "julgamentos estéticos e morais, filosofia e linguagem se relacionam com as pessoas". E não poderia ser mais convincente, nem bonito.

No barco dos refugiados, gigantesco, esprimido contra o teto de pedras e caibros do Paço; no couro de boi com o "se pudessem colocavam o negro de novo na escravidão" gravado a ferro de marcar, uma reflexão final. Afinal, de repente, "os artistas não precisam se tornar mais políticos; os artistas precisam se tornar mais humanos".

Nós também.


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