una amistad sin límites, huevón!


Chile e Brasil mantemos - como nossos amigos dizem - una amistad sin límites. A história das conquistas chilenas, seus aumentados PIBs bruto e per capita, sua sempre elogiada inserção no sistema internacional de comércio e investimentos, além do fortalecimento contínuo de suas instituições democráticas, do império da lei, dos Direitos Humanos e da atenção ao meioambiente são realmente belos exemplos. Entende-se assim que para tantos brasileiros, quando a distância do Brasil em relação ao chamado Primeiro Mundo chega a parecer irredutível, "Chi-Chi-Chi-Le-Le-Le Viva Chile!" afirme-se como a grama mais verde da vizinhança.

Há muito efetivamente que admirar no caso chileno. O mais importante seguramente a alternância da esquerda e direita no poder com as instituições democráticas em pleno funcionamento e sem que, a cada eleição se pense em promover o desmonte completo do que já foi construído. Talvez, afinal, não seja o maior investimento a fórmula de bolso para o desenvolvimento, mas sim o menor desinvestimento.

Resulta porém impraticável, quando não contraindicado, aplicar ao Brasil fórmulas tentadas, com maior ou menor êxito, ao Chile. Sem que nada disso implique superioridade de um ou outro país, é preciso reconhecer as diferenças da história e da geografia. No seu longo e estreito território, protegido e ilhado pelo mar e os Andes, a vinculação indireta à metrópole espanhola contribuiu seguramente para a transformação da nascente elite chilena em um patriciado com sentimento espartano e clara determinação. O Por la Razón o la Fuerza do escudo nacional não será gratuito.

As dessemelhanças são também grandes na formação nacional (sem "plantations" nem escravos africanos, a herança indígena pode até se insinuar nos belos rostos de tantos dos 18 milhões de mulheres e homens chilenos, mas mal aflora na cultura nacional). E na economia, fortemente dependente de fontes externas de energia, o cobre, com quase nula agregação de valor, é ainda o produto-rei, respondendo por mais de 50% das exportações, a despeito do trabalho inteligente e bem sucedido que abriu mercados para o salmão, as frutas e o vinho chilenos.

Abandonado com Allende o sonho (terá sido devaneio?) de um modelo de substituição de importações para o Chile, seus negociadores passaram a explorar a melhor contrapartida possível em mercados para seus novos produtos de exportação, contra a abertura do Chile às importações de todos os tipos de bens de consumo e de capital. Essa a mesma estratégia, seguida pela direita e a esquerda, complementada com investimentos na qualificação dos recursos humanos e o abandono de quaisquer projetos em que não ressaltem inquestionáveis vantagens comparativa. Com ela, o Chile, mais seu fundo soberano e os excedentes de capital privado, tornou-se o maior investidor sulamericano nos países da região, Brasil inclusive.

Não foi até aqui suficiente para superar a estrutural desigualdade e forte concentração de renda no Chile, que por razões distintas nos estrangula. Os progressos são porém inegáveis, e vale conhjecê-los, mais não seja por seu simples conhecimento. Mas não dá pra pensar em tentar faer caber o elefante brasileiro no receituário chileno.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso