os sobrinhos do Capitão e os bonecos do ventríloquo


Quando começou o governo do Messias, as estrepolias dos filhos 01, 02 e 03, lembravam a acidentada vida do Capitão e seus sobrinhos. Hans e Fritz. O misto de irresponsabilidade, malícia e maldade dos irrecuperáveis traquinas justificavam as palmadas que lhes brindava o tio em simulacro do exercício do poder disciplinador.

Logo se viu porém que o governo sequer começou e o capitão de agora sonha somente com uma monarquia não-constitucional da qual seria o fundador, a ser lembrado provavelmente pela História como Bolsonaro I, O Obscuro. Nosso irascível e genioso aspirante a reizinho empenha-se apenas em fabricar manchetes, desfazer o que existe e avançar resoluta e heroicamente em direção ao passado.

Escolhido por Deus, nosso reizinho em espera evoca o povo como o legitimador dos poderes ilimitados a que aspira, e pretende por vezes já deter. Atropela o Legislativo, apequena o Judiciário, desconhece instituições. E como a realidade resulta não raro irônica poderia hoje, com sobras, reivindicar o título de o mais bolivarianista dos presidentes da América Latina. Maduro que se cuide! Nas quase sempre constrangedoras declarações no passado do Capitão encontram-se também palavras de entusiasmo por Chávez, o Passarinho ("Chávez é uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil”)

Qual o papel afinal dos filhos 01, 02 e 03, na corte que se quer formar em Brasília? Sempre no meio, quando não na origem das intrigas dos palácios, os herdeiros numerados, mais que guardiães do capitão-em-chefe, príncipes em disputa pela preferência de seu soberano e pai, talvez sejam apenas bonecos do ventríloquo que estrela essa farsa.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso