dez de dez: os Fernandos Pessoas


Os Fernandos Pessoas seguiram-me vida a fora. Um dos livros que entesouro com carinho é uma edição em papel bíblia, de 1965, da Aguilar, com a que então se conhecia como a obra completa de Pessoa e seus heterônimos. Comprado em suaves prestações. Sublinhado, Interjeiçoanado. Usado. Com paixão, tristeza e até mesmo alguma alegria, ainda que retorcida de ironias, porque, afinal, a beleza tem sempre algo de contentamento.

Os Fernandos Pessoas são a síntese não raro inquietante da poesia. São também - e cada vez mais me convenço: nada acontece no vácuo - a história de um povo, parte da cultura, quando não do sangue, da gente.

Pois o décimo dos dez livros listados por grata sugestão de Gilda aqui se estende a todos e a ninguém em especial. A nossos pontos recíprocos e múltiplos de referência (salve Álvaro Campos!) de nossas rascunhadas trajetórias e perdidas conexões.


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