o candidato profissional


Por quase 30 anos, Bolsonaro foi no Congresso um deputado dedicado exclusivamente aos interesses sindicais de militares. Talvez se devesse ter mais de um representante do povo, mas sua reeleição reiterada indica que o grupo específico a que se dirigia considerou válido seu trabalho.

Político, Bolsonaro elegeu-se protestando contra os políticos. Deputado por 7 mandatos, não hesita em demonizar o Congresso. Tendo tido sua carreira militar recuperada na Justiça, parece comprazer-se em pintar o Supremo como a corte marcial do povo. Ah, o povo. O povo que diz havê-lo ungido com um passe-livre para quaisquer bizarrices, atitudes obscurantistas e medidas tomadas contra a Constituição e até o bom senso...

Faz seis meses o Capitão, eleito, tomou posse. Pena não tenha ainda começado a governar, Pouco ou quase nada sobrou de suas propostas ao vivo e em direto. Tiveram o Congresso e o Supremo Tribunal Federal de reenquadrá-las nos limites autorizados pela lei e, não raro, simplesmente anulá-las.

Isso não o impediu, no entanto, de ensaiar o seu Fico. Para o bem do povo e pela vontade de Deus, por certo. As promessas de campanha foram no caso deixadas de lado. Afinal, prá que acabar com a reeleição?

Temos portanto mais um candidato profissional no mercado. Não está sozinho, verdade. Outros menos conhecidos ou notórios já até costuraram faixas só para posar de miss, e passam os dias sonhando com a presidência. Por que governar se o importante - ou assim lhes parece - é ganhar eleições?


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso