a libra e o poder


O Facebook terá sua moeda: a Libra. Não é uma manifestação tardia em favor da grandeza do império de Londres. Tampouco simplesmente mais uma moeda privada ou de aceitação localizada, como as muitas quasemoedas que ocupam o mercado quando a moeda oficial é varrida nas ruas.

Em princípio servirá para liquidação de transações nos limites virtuais do conglomerado do Facebook, virá indexada por uma cesta completa de moedas fortes e não tanto, e terá o apoio de verdadeiro batalhão de pesos pesados das finanças e da economia.

Não será portanto outra criptomoeda qualquer. Seus criadores pensam em um mercado de 1,7 bilhão de pessoas, em todo o mundo, com a perspectiva de seguir crescendo nos computadores, smartphones, bolsos e vitrines (por que não?) de todos.

Com razão já se alinham preocupações quanto à existência de alguma instituição pública, na Oropa, França e Bahia, e mesmo nos States, com poder efetivo para disciplinar e intervir no salvamento ou contenção de danos da super Libra. Preocupações aumentadas ,naturalmente, pela eventualidade de tsunamis, de maior ou menor intensidade, que a Libra do Facebook possa gerar para moedas que a "resseguram" e respectivas economias- satélite ou em suas áreas de influência.

Preocupações que se agudizam com considerações sobre a concentração de mais poder ainda nas mãos, nem sempre vigilantes e imparciais, dos que detêm acesso praticamente irrestrito a nossos dados, hábitos, preferências, e até pensamentos inconfessáveis...

Como provavelmente a libra, como o 5G, vem pra ficar, melhor começar a pensar também no seus potenciais impactos sobre o equilíbrio e o desequilíbrio internacionais. Em que medida poderá deslocar as moedas hoje dominantes nas reservas e transações mundo a fora? Como isso poderá afetar países como China e Brasil com grandes reservas em papéis do Tesouro americano e, do outro lado, possibilidade de ganhos não negligenciáveis se as moedas de transação fossem diversificadas ou referidas a uma cesta mais ampla de moedas.

Sem esquecer - é lógico - a desarrumação que o êxito de uma super Libra pode implicar para os Tesouros nacionais, desde as arcas do Senhor Trump até os cofrinhos do Paulo Guedes.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso