Moro bate continência


Quando Bolsonaro chamou Moro para ser Ministro da Justiça, muitos - eu inclusive - pensamos que o Messias havia cometido mais um erro. Moro era e talvez ainda seja mais popular que o Capitão entre os eleitores que o levaram à Presidência. Como nomear alguém a quem não se poderia demitir?

Em menos de seis meses, por seus erros e pelo anunciado convite para o Supremo no bolso da farda do Presidente, Moro passou à categoria dos mortais demissíveis, conquanto nas manifestações verde-amarelas seu pixuleco continuasse a exibir superpoderes.

As revelações do Intercept (que cartas os editores terão ainda na manga?) levaram Moro a ilustrar a primeira página de O Globo, em posição de sentido, batendo continência, ao lado do Capitão. Presidência, Ministério e também o Supremo amanheceram cobertos pela incerteza, e uma aventura político-eleitoral dependerá sempre de que Não se esfumace seu cacife junto à opinião pública.

Do que já sabemos todos fica claro que a interação entre o Juiz e o Ministério Público no caso do Presidente Lula se não configurou ilícito seguramente escancarou quebra de ética. Essa desvirtude do Herói não deveria surpreender: afinal ficara patente em episódios que comprometeram, ainda às vésperas das eleições, sua folha de bons serviços na Lava Jato.

Os percalços do Juiz/Ministro/Herói despertam esperanças, ilusões e delírios estratégicos. Dentre as primeiras, a campanha pela nulidade do juízo do Presidente Lula que pode, todavia, vir a não ter efeito maior sobre sua condenação.

Dentre as segundas, as repetidas investidas do$ corrupto$ de papel passado contra suas condenações na esteira da Lava Jato.

Entre os últimos, a oportunidade para Bolsonaro se apropriar da Lava Jato, patrocinando a sobrevida de sua figura de proa e mantendo longe das manchetes Queiroz, milicianos e outros pecados venais e mortais.


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