e por falar em investimentos, ou, assim não é se não lhe parece


Pena, mas a despeito de o projeto do Ministro Guedes ser ambicioso, ainda que fosse aprovado como proposto - o que não é desejável, nem viável - não viveríamos felizes para sempre, nem mesmo por umas boas décadas. Não só a realidade é dinâmica, a história não se acabou e - algo talvez inevitável em qualquer intento - há nele imprecisões e meias verdades que a fé do Ministro não consegue resolver.

Para começar, a nova previdência seria essencial para que o Brasil recebesse investimentos estrangeiros que ajudariam o País a crescer e promover a felicidade geral da Nação. Na esteira do Plano Real, da anunciada Responsabilidade Fiscal e da maior atenção ao social o Brasil vinha sempre entre os 3 ou 4 países que mais recebiam investimento direto estrangeiro no mundo, atrás apenas de EUA, China e Hong Kong - contabilizada à parte nas estatísticas dos organismos internacionais especializados. Em 2011, por exemplo, foram quase US$70 bilhões, dos quais US$ 14,7 bilhões de participações em capital acionário.

Quando a "marolinha" de 2008 bateu nas nossas lindas praias como um tsunami, os números começaram a encolher-se. Ainda assim, depois de termos caído para sétimo lugar no ranking dos favoritos dos investidores (com fluxos anuais de US$50 a 60 bilhões), já em 2017, quando os investimentos diretos estrangeiros totalizaram US$1,4 trilhão, US$62,7 bilhões chegaram ao Brasil que voltou a ser o quarto mais importante destino desses fluxos de recursos. É muito bom mas não dá campeonato: para disputar a faixa de campeão faltam ainda ganhos importantes na infraestrutura física e social.

Não se imagine que o investidor é cego ou lhe faltem alternativas. Será portanto mais razoável pensar que vem ao Brasil motivado pela alta rentabilidade e/ou a perspectiva de garantir seu lugar aqui para o futuro. Certo é que os investimentos não virão, nem deixarão de vir se nos rendemos ao canto de sereia de Guedes e sua nova previdência. Uma previdência reajustada à realidade demográfica, uma carga fiscal menos pesada e menos regressiva, uma presidência mais equilibrada, enfim, tudo isso é essencial. Mas isoladamente não garante a festa.

Caberia então dizer sim que o investimento direto estrangeiro que não nos tem faltado, pode e deve aumentar e ter efeito multiplicador maior. Mas não esperemos seja suficiente, capaz ou vocacionado para garantir sòzinho o crescimento econômico e o desenvolvimento humano do Brasil, e compensar a falta ou debilidade do investimento feito aqui.

Vai ver esse jogo de assombrações é parte da nova política...

Ou, à maneira dos puxadores de samba: olha o avestruz aí, minha gente!


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