a Nova República, quem diria, finou-se desapercebida


Como previsto, o Capitão da Reserva Jair Messias Bolsonaro foi eleito dia 28 de outubro para um mandato presidencial de 4 anos. Com abstenções, votos nulos e em branco somando mais de 30% de um eleitorado de 147 milhões de eleitores, o novo Presidente teve 57 milhões de votos (38% do total). O outro finalista ficou com 47 milhões (31% do eleitorado).

Cabe lembrar também que nem o Presidente eleito nem seu principal contendor receberam todos os votos creditados a suas candidaturas. Na competição das rejeições, o antipetismo fez de muitos bolsonaristas resolutos. As ameaças à democracia e aos Direitos Humanos no histórico do Capitão Messias empurraram, por sua vez, outros tantos para a campanha de Haddad. Mas campeonato se ganha igual, de 1 x 0 ou de 7 x 1, com a mão de Deus ou a jogada de craque e camisa suada.

Não se trata de outra jabuticaba brasileira: a maior minoria vence. Assumirá o poder que só pode ser produtivamente exercido em uma democracia se os vencedores têm plena consciência de que governarão para todos, respeitada fielmente a Constituição.

Mais que a alternância democrática - parte essencial do jogo - a troca das equipes refletirá também necessariamente o desaparecimento - quem diria! - da Nova República. Finou-se quase despercebida, como se finaram os projetos originais e inovadores que um dia PT e PSDB representaram. E saiu chamuscado até o "imorrível" emedebismo em que se finara também a velha frente do MDB.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso