onde dói?


Ao contrário do que pregam os exorcistas do Estado, o serviço público pode e muitas vezes prova ser competente e republicano. Sou dos que, com mais de 50 anos de carreira de Estado, crêem inclusive que um dos mais efetivos meios de se combater corrupção, negligência e ineficiência, é dispor sempre de quadros de profissionais escolhidos por concurso e comprometidos com suas respectivas carreiras.

Trabalho recente do BNDES, IPEA e MINIPLAN reforça o argumento.

Identificar os pontos de estrangulamento que dificultam, se não impedem o desenvolvimento inclusivo e sustentável da economia, da sociedade e do meio-ambiente, é requisito mandatório para qualquer proposta de sua superação ou equacionamento. Não garante êxito à empreitada, mas é o ponto de partida. Pois o mencionado trabalho descreve-os e lista com precisão.

O dever de casa:

a fragmentação política e os desafios em que implica para a consecução e manutençao do equilíbrio fiscal;

a baixa capacidade de atração de investimentos privados da economia brasileira;

a defasagem na incorporação de avanços tecnológicos;

o descasamento entre avanços econômicos, sociais e ambientais;

a reestruturação do crime organizado e a segurança pública;

o aumento dos fluxos migratórios latinoamericanos; e

o aumento da tendência à degradação ambiental e do número de eventos climáticos extremos (secas e chuvas).

Em cada uma dessas áreas temáticas sobram desafios e também oportunidades. Projetos sérios, candidatos sérios deveriam discutí-los e apresentar sua visão. E antes que ocorra a alguém mais: não tem kit pronto no posto Ipiranga.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso