quando nossos heróis eram inocentes


Há mais de mes não abro o blog. Quase uma sabática. Assunto não faltou. Poderia dizer que faltou tempo. A sinceridade manda dizer: faltou convicção, certeza ou autoilusão suficientemente forte para arriscar a palavra.

A exemplo de quase todo mundo, tateio na indefinição. O mote do Lula cabe como luva: "nunca antes na história deste país se viu", no caso, tamanha incerteza.

Nossos heróis não são mais inocentes, a menos que ainda consigamos vê-los com a determinação religiosa de crer mesmo que absurdo. Não há quem presida a eleição: a cadeira está vaga desde as gravações da garagem do Jaburú. Em mais um ciclo da história, PT e PSDB descaracterizam-se e desaparecem no mesmo esquecimento que engoliu antes PTB, PSD, UDN, MDB, ARENA e tantas letrinhas mais. Em mais um arroubo de irresponsabilidade, reintroduziram o bode na sala.

Não faltam desafios. Nem potencial, de gente e de coisas, para seu enfrentamento. Faltam ânimo, vontade de futuro. Falta sobretudo memória dos desastres dos sebastianismos já vivenciados, enquanto sobram intolerância e a tentação suicida de marchar de novo com Deus, Família e Propriedade.

Tenente ou Capitão, Luz ou Poste, Xuxú ou Berinjela, Cangaceiro ou El Cid, Crente ou Joana d'Arc, quem sentar na cadeira terá de se esforçar muito para manter um diálogo produtivo e republicano com o Congresso, para conseguir interagir franca e construtivamente com o Judiciário e o Ministério Público. Sem ceder nunca ao impulso de chutar o balde, nem à aventura de um golpe contra a democracia brasileira.

Mais que nunca é preciso escolher, com critério e seriedade, nossos Representantes no Congresso. Para não sermos cúmplices, mas parceiros.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso