Tunga e o samba no MAR


O Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) nos mimoseia com duas ótimas mostras. Evandro Salles, Clarissa Diniz, Marcelo Campos e Nei Lopes estão de parabéns pelas curadorias.

Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão deixou-nos uma obra instigante e sempre bela. Pintor, escultor, artista visual, pensador, agitador cultural, Tunga foi um artista em todas as dimensões e suportes por onde incursionou com sua inteligência e desconcertante sensibilidade.

Exemplo a mais de que as raízes do artista, suas referências primeiras e quase sempre duradouras em nada impedem que seu trabalho possa ser admirado e sentido até por seus antípodas neste "vasto mundo", a obra de Tunga é o seu precioso legado para seus contemporâneos.

Entra-se em "O Rio do Samba: Resistência e Inovação" por uma galeria de altofalantes intervalados que introduzem, um a um, os principais instrumentos do samba.

Irresistível: a meio caminho os corpos entram no balanço da música, e a alma aligeira-se de um contentamento gratuito.

Pinturas, como esta de Heitor dos Prazeres, fotos, máscaras, fantasias, surdos e filmes contam a história do samba, suas origens e evolução.

Nenhum gênero espelhará melhor a alma do carioca. Nem terá traduzido mais perfeitamente suas dores e alegrias.

Retrato e narrativa fascinam. Prendem a atenção em um rio de ritmo, de despudorada e despropositada alegria.

Não seremos lógicos, mas (sobre)vivemos. O que é uma quase felicidade.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso