O crime do Cais do Valongo


Eliana Alves Cruz publica pela Editora Malê o fascinante "O Crime do Cais do Valongo". Talvez seja ainda difícil conseguir o livro, mas não desista: encomende-o, se necessário, diretamente à editora, mas não se negue o prazer dessa leitura. O primeiro - e premiado - trabalho de Eliana (Água de Barrela) conheço só de referência, falhadas até aqui as tentativas de conseguir exemplar.

A estrutura funciona como novela policial, sem qualquer concessão de qualidade como documentação histórica. A morte do defunto mais estranho da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro não é afinal o verdadeiro crime. A violação real é a história de milhões de homens, mulheres e crianças a quem a escravidão vitimou.

A narrativa a duas vozes (a escrava negra que dialoga com seus mortos e fantasmas, e o mulato brasileiro que enfrenta as mentiras empapado de poesia, bebida e sensualidade) prende o leitor à trama com cortes vívidos de memórias. Mas O crime do Cais de Valongo é mais que uma excelente novela policial e o sentido testemunho do crime da escravidão, é literatura de indiscutível qualidade.


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