nascentes e poentes


A prisão de Lula é razão para tristeza. No balanço dos erros e acertos - e isso vale para todos - há no caso de Lula muito de positivo além de uma liderança carismática que deixa marcas - e isso só vale para poucos.

Pena maior porque a condenação se dá por acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, base de sempre da impunidade tradicional na política brasileira que o próprio Lula valentemente denunciou, desde o início de sua ascensão política, ajudando a convencer-nos a todos, eleitores, juízes e procuradores, da gravidade dos delitos de colarinho branco, de seu alto preço para a sociedade, estampado no remédio que falta, na escola que fecha, na infraestrutura deficiente e insuficiente do custo Brasil.

As horas e horas da TV Justiça prenunciam as dificuldades que a defesa de Lula terá ainda pela frente. O discurso da vitimização não parece - felizmente - render nos tribunais os mesmos frutos que, com insistência, Lula, o PT e os seguidores(alguns verdadeiros veneradores) do Presidente escolheram nesta conjuntura como caminho preferencial de atuação na política.

O impedimento à nova candidatura presidencial de Lula - pela aplicação da Lei da Ficha Limpa, iniciativa popular vitoriosa com o apoio também do PT e de eleitores fiéis do Presidente - não diminui em nada as indefinições do futuro próximo, a despeito do alívio que possa ter representado para vários dos concorrentes de Lula. A ausência do nome de Lula nas urnas e a radicalização do discurso político do PT devem antes ser contabilizadas como um prejuízo geral. Para o Presidente, na hipótese de superação dos obstáculos atuais, implicará provavelmente a perda da parte substantiva de seu eleitorado que foi sempre bem maior que o do PT. Para eleitores comprometidos com a inclusão social, implicara já a perda de sua opção eleitoral mais óbvia.

A falta do nome de Lula na urna poderá eventualmente ter como única vantagem a contenção da candidatura de Bolsonaro às dimensões, felizmente bem mais acanhadas, do conjunto de seus radicais apoiadores. Para as eleições de 2018, ademais de contribuir fortemente para sua altissonante radicalização, favorece (não será exagerado dizer estimula) a atomização do quadro em candidaturas que mal e mal conseguem afirmar-se e definirem-se em meio ao ruidoso bruaá.


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