as três graças


Algumas imagens são recorrentes. Sobrevivem aos séculos. Modificam-se. Ajustam-se aos diferentes tempos. Mas preservam, ainda que nos contornos novos, no cenário outro, seu encanto, magia, sortilégio.

As três Graças da mitologia grega são um belo exemplo. Na Ilíada atendiam pelos nomes de Tália, a que fazia brotarem as flores, Eufrosina, que despertava a alegria, e Aglasia, quem trazia a claridade.

Desde o Renascimento seguiram, anônimas ou com outras roupagens e nomes de batismo, como símbolo da harmonia e conjunção de beleza de deusas, semideusas e humanas.

Chichico Alckmin cujo trabalho fotográfico importante já saudei n'O Observatório, fêz pelo menos duas versões dessa composição duradoura.

As Graças bem nascidas de Diamantina, nas primeiras décadas do século XX, em suas rendas e posada informalidade.

E as Graças negras, na cuidada roupa de festa. Na sua elegância exata, confrontando solenes a eternidade do retrato.

Semana passada em São Paulo, mais Solange, revimos as Graças de Chichico no Instituto Moreira Salles. E por coincidência, encontramos outras de suas pares em escalas subsequentes.

Primeiro, as Graças de Cícero Dias, com seus guardachuvas nos idos dos 30. Leves conspiradoras na tarde do rio. Estavam no Instituto Tomie Ohtake.

Depois, foram as Graças de Di Cavalcanti. Mais carnudas e roliças. Ensolaradas, na tarde da Casa Vermelha dos anos 40.

Esperavam-nos elas, com seus encargos e trabalhos, na Pinacoteca.

E, para maior alegria, a descoberta dessas originais Graças, a terceira delas velada nas cortinas mas presente no diálogo, na simplicidade colorida, viva e maravilhosa de Maria Auxiliadora da Silva, no MASP.

Não são, verdadeiramente, as três Graças?


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso