Imagens em luta: 50 anos de 68


Para celebrar os 50 anos de 68, o Museu de Beaux-Arts de Paris preparou uma mostra sobre a cultura visual da extrema esquerda na França de 1968 a 1974. É um acervo impressionante resgatado ao Atelier Populaire des Beaux Arts no já legendário 1968, colhido alhures pela China de Mao, o Vietnam, a Cuba do Comandante Fidel, a Palestina e mundo a fora, desde então até 1976. Mais a documentação das greves nas usinas e dos movimentos rurais de 1971 a 1973, a expressão febril das universidades e ateliers, as revoltas mudas e os gritos nas manifestações de rua.

Os que vivemos os agitados anos 60, na França, no Brasil, no Leste Europeu de então, na América Latina, na luta pelos direitos iguais nos EUA e, ao fim e ao cabo, por toda a parte, temos seguramente nossa memória redespertada.

Aos que chegaram mais recentemente, vale o mergulho na atmosfera apaixonada de busca da liberdade, da igualdade de oportunidades, e de um mundo menos autoritário e mais pacífico. A paixão era e é a mesma. Diferentes, muitas vezes, as causas imediatas, a cara da injustiça e o braço da opressão.

À distância, no desbotado das cores dos cartazes, no conhecimento de hoje sobre a evolução de cada conflito, dos ganhos conquistados, das capitulações e do cansaço amargurados, a polifonia pode e deixa escapar, por vezes, causas datadas, quixotismos infantis ainda que generosos. Mas tem sempre a beleza e a força da vida vivida.

Virá daí sem dúvida o entusiasmo que convoca, ainda uma vez mais, Julio Le Parc, nos seus 80 anos, a participar da celebração com a pesquisa abaixo para "a escolha dos inimigos de cada um":


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