tudo pra "manter isso aí"


Concedo: são precisos muitos anos de janela para chegar a fórmulas como "a Temer faltaram-lhe virtú e fortuna pra ser o novo Itamar". Haja eufemismo!

Fato é que, infelizmente, o Governo Temer que mal começara já optava por blindar associados com a mesma ministrança negada espetacularmente a Lula, terminou em encontro confuso no secretismo de folhetim, "na calada da noite" e "nos porões do castelo".

É dia de frases feitas.

Assim, depois do "mensalinho de Minas", do "mensalão de Brasília", do "lava-jato de Curitiba", chegamos à república do é "pra manter isso aí", dos sobreviventes da corrupção e do rebutalho dos sonhos pós-República Nova.

Entramos no ano das eleições e da Copa do Mundo com a quase totalidade dos protagonistas da história do País desde as Diretas Já cumprindo pena, respondendo a processo, chantageando-se (muitos) em esquemas inconfessáveis pela sobrevivência.

Temer, Lula, Sarney, Collor, Aécio - pra citar apenas presidentes e presidenciáveis mais recentes, excluído do rol os que concorrem na categoria poste - coincidem plenamente no interesse e esforços pela revisão da inelegibilidade da ficha suja, pela fixação de jurisprudência que garanta aos que podem ter os melhores advogados a remissão do começo do cumprimento da pena para a véspera ou o dia seguinte da sua prescrição, e pelo encontro de fórmula que lhes eternize o foro privilegiado e confortável do Supremo.

Com uma agenda dessas sobra pouco ou nenhum tempo para pensarem, efetivamente, nas heranças malditas (as recíprocas e as históricas) e nos desafios reais que temos pela frente.

Sem dúvida os 50 anos de 68 serão comemorados em alto estilo. Haja coração!

E que não faltem pelo menos ao Tite a sorte e o mérito.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso