é muito pó de pirilimpimpim


Vai ver, foi isso. Industrializaram o pó. O de pirimlimpimpim, bem entendido. O faz de conta é a regra. Lucidez e coerência, exceções. Indesejáveis, por sinal.

Os exemplares da preciosa Short History of financial euphory, de J. K. Galbraith, devem estar se empoeirando nos sebos, Pena. Seria leitura provavelmente muito útil para os embandeirados dos bitcoins, dashes, litecoins, ripples e etherea da atualidade. Em janeiro de 2017 eram um mercado de uns US$ 5 bilhões. Em agosto, de outros US$138 bi. E no começo de dezembro último, o total passaria de US$350 bilhões. Aceitam-se apostas: quando o mercado cairá? É pule de dez quem vai pagar a conta. De novo.

Trump comemora as disparadas das bolsas. E tome de pó de pirimlimpimpim: trarão benefícios diretos (lucros e dividendos) e indiretos (emprego e economia aquecida) a todos os americanos. Parece que não é bem assim - segundo alguns resistentes ao pó. Só 52% deas famílias nos EUA têm algum investimento em ações. Dessas, menos de 1/3 estão abaixo da renda média per capita nacional. Mais importante, porém: como de hábito e sem surpresas, os 10% superiores da escala de renda são donos de mais da metade do valor financeiro atual das bolsas. Faz 10 anos, exatos, despencamos de outra euforia. Custou caro sobretudo para quem não se beneficiou dela. Duro ter a ressaca sem ter bebido...

Enquanto isso nos países da OCDE (os mais ricos e os aspirantes, eternos ou com alguma chance), a despeito do bem-vindo aumento do PIB em 2017, muitos não conseguem (nem conseguirão em 2018) comprar casa própria, e muitos que as compraram não terão como pagá-las.

A renda se concentra. O que é do modelo do país (EUA) de classe média? O que feito da Europa de melhor qualidade de vida para todos? Quando os que foram uma vez mais rebaixados, no Brasil, às chamadas classes de ingressos claramente insuficientes terão, de novo, o gosto do bemfazejo mas passageiro "upgrade"?

Será que pintando as unhas resolve?


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso