Muera la inteligencia! viva la muerte!


Há dias em que o fantasma do General Millán Astray assombra também aos que não temos a força de espírito de Miguel de Unamuno. Há quem pareça orgulhar-se da ignorância e vanglorie-se da intolerância como demonstração de coragem. O bullying, além da violência física ou psicológica contra uma pessoa ou grupo, é cada vez mais a "linguagem" com que se foge ao debate coagindo ou imobilizando os demais. A mim, alarma a frequência com que ouço dizer que fulano “detonou" sicrano. Mais ainda quando essa "detonação" é celebrada por gritos de vitória por pessoas que jamais imaginei ver participando desses momentos - digamos - mais primordiais.

Eliane Catanhede está certa: vivemos tempos de bruxas e fogueiras. O cerceamento da liberdade alheia nos chamados temas de consciência é justificado por mandatos divinos e amparado em uma liberdade unilateral de opinião. Hierarquizam-se religiões para justificar a perseguição daquelas consideradas inferiores. As dos outros, obviamente. E preferencialmente as que têm suas raízes na Mãe África.

As espúrias rider ammendments do legislativo dos EUA, seguindo essa mesma tendência, vem sendo subrepticiamente introduzidas no nosso Congresso sob forma de penduricalhos a serem "pagos" pela sociedade, por intermédio de seus supostos representantes, pela aprovação de outras propostas que, em tese, atenderiam, essas sim, iniciativas políticas, assumidas e públicas como corresponde.

Com parasitas ilegítimos procura-se anular decisões sacramentadas legalmente e apoiadas pela maioria da população em temas de consciência, como casos em que já se admite o aborto, medidas adotadas em favor da não discriminação de gêneros ou da efetiva liberdade religiosa e de pensamento para todos. Sem falar em benefícios fiscais e anistias de dívidas com o Tesouro que não contaram nunca com o apoio da maioria dos eleitores e pelos quais se transfere, uma vez mais, parte pesada do ônus do deficit governamental para quem nada tem e menos ganha.

Bullying e penduricalhos são hoje instrumentos favoritos de minorias, sem dúvida organizadas e que não se constrangem em nada em promover seus interesses específicos. Mas minorias.

É tempo de pagar para ver. De fazer com que a necessária transparência ponha a nú a hipocrisia, a intolerância e a rapinagem. Mais do que a escolha, indiscutivelmente importante, de quem deva ocupar a Presidência, o presente e o futuro dependerão da escolha dos congressistas, da vitalidade e legitimidade de deputados e senadores a serem eleitos

. Os limites, estreitos e inelásticos, do presidencialismo de coalisão, ou de cooptação, são sobejamente conhecidos. E os resultados, melhor nem lembrar.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso