o país do futuro


Para muitos, as palavras de Stefan Zweig soam como maldição. Para todos, a vontade de ver o mundo transformar-se enquanto estamos por aí para servir de testemunhas, faz com que o futuro pareça sempre se atrasar. Mais que trem da Central, como se costumava dizer. É verdade, o trem continua demorado, mas a Central é hoje apenas um edifício e uma, a mais, marca na memória.

Há quem não perdoe Miriam Leitão por ter lutado por suas ideias no tempo da ditadura militar. Há quem não a desculpe por trabalhar para a Globo, a despeito das cicatrizes do passado. Há também quem questione a sabedoria dos pontos de vista que defende em economia e na política. Não faltará sem dúvida quem lhe inveje o claro êxito e - digo eu - o merecido reconhecimento.

Erramos todos. Daí importarem muito menos eventuais erros no varejo quando se procura, com honestidade e coerência, desconhecer menos os desafios que temos sempre pela frente. Independentemente de minha admiração pelo trabalho de Miriam Leitão, creio - por isso mesmo - que não se lhe deva negar essa coerência e a seriedade.

A História do Futuro - que a Globo News apresenta como série - é um livro essencial para se pensar o Brasil. O de hoje. O do futuro do Zweig. O do futuro da nossa ansiedade. A sugestão vale pra todos, sem distinção de cor política, de pele ou de alma. A autora, por sinal, demonstra ter tido sempre essa preocupação ao buscar os melhores interlocutores para discutir os tópicos de que dependerá nosso futuro. O qual, por sinal, começa sempre hoje. Contrarrelógio, não raro.

O trabalho de Miriam Leitão ajuda a preencher uma carência óbvia na maioria dos analistas e comentaristas de plantão: a fragilidade ou falta, pura e simples, da perspectiva de médio e longo prazos. Daí que tantas vezes soem como locutores de uma sucessão desarticulada de fatos e fatores em que inferno e paraíso sucedem-se da noite pro dia, sem outra causa aparente que a reação ao impulso anterior.

#MiriamLeitão

©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso