Puro Ney e um lindo espetáculo


Solange, que me cedeu a foto, já registrou no FB a beleza do espetáculo sobre Ney Matogrosso. Dá prazer ver como se consolida um gênero (musical carioca), diversificado para benefício do espectador, mas com padrões de qualidade e capacidade de comunicação com o público de se admirar.

Luís Filipe de Lima é um ótimo violonista. Já provou muitas vezes competência como diretor musical em outros espetáculos. Em Puro Ney, acumula também a diração geral e a coautoria do roteiro. E o faz (às favas com a ortodoxia, mas um "fá-lo" a essa altura da manhã só mesmo como divulgação da Festa Kanamara Matsuri de Kawasaki ou outra manifestação do falicismo...) somando méritos.

Um deles foi optar por uma biografia indireta do homenageado; sua trajetória delineia-se com o encadeamento das músicas. Outro: fazer com que Soraya Ravenie e Marcos Sacramento não se deixem nunca apanhar pela tentação do mimetismo, muito menos pelo facilitário do cover. Marcos e Soraya, excelentes, seguem antes a fórmula que, confessamente, sempre seguiu Ney: ouvir as letras; sentir e entender o que podem dizer; cantá-las - para nosso encantamento - como o grande intérprete que é.

Ganha assim o público. Além da versão de Ney passa a contar com a interpretação de Soraya e Marcos de marcantes momentos da biografia musical de Ney Matogrosso. A decisão de valer-se de dois intérpretes serve ainda à androgenia e à universalidade inerentes ao trabalho de Ney.

A peça fica no Teatro dos Quatro até o final de novembro. A exemplo de outros tantos bons espetáculos, nestes tempos bicudos e não raro obscurantistas, não conta com patrocínios. Depende, portanto, exclusivamente, da resposta do público. Não faltem.

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