Em rio de piranha jacaré nada de costas...


Em tempos de fake news e pós-verdade, não dá para aceitar propina como nome de fantasia para corrupção. Já falei disso, sei. Coisa de velho ficar repetindo-se. Mas que fazer se a ciranda roda e a ladainha segue.

Sinceramente, o rótulo de fake news mal disfarça a mentira deslavada que procura veicular. Pós-verdade não passa de arremedo conceitual para estelionato eleitoral ou na vida civil.

Infelizmente, quando o Presidente agradece o apoio da base aliada a seu governo quer dizer, na realidade, que agradece a obstrução de justiça praticada para empurrar pro dia de São Nunca a apreciação de denúncias que contra ele aceitara a suprema corte de justiça do país - foro especial do Primeiro Mandatário.

E quando a base aliada de ocasião põe preço a seu voto, em cargos e verbas, comete novamente estelionato além de peculato, ao vender o que não é dela (o voto com que os levamos ao Congresso), valer-se do cargo para tirar vantagem direta ou indireta indevida e cacifar suas candidaturas futuras em competição desleal com os demais candidatos.

Amplia-se a comédia de erros porque mouros e cristãos, azuis e encarnados, liberais e conservadores, esquerda mais direita e centro , macacos velhos incluídos, têm quase todos as mãos presas em cumbucas, confiados que estavam na impunidade dos que “a merecem".

O nó, difícil de desatar, será encontrar, sem perda dos ganhos importantes para a sociedade nestes tempos de sobressaltos e decepções, e ante a impossibilidade da justiça imaculada e absoluta, o ponto de equilíbrio dinâmico entre a revolução, inviável e indesejável, e a pizza geral, com dancinhas grotescas dos que se regozijam em tripudiar sobre a opinião pública.

Mas que nada se espere de mais significativo nos meses que faltam para o enigma das urnas. Estão praticamente todos presos a suas culpas e omissões. E quando coincidem é no esforço, dissimulado e reiterado , para dar volta atrás no relógio , anistiar também o futuro, e festejar na avenida um grotesco e inaceitável liberou geral.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso