Do que Elio Gaspari nos lembra


Com A Ditadura Acabada Elio Gaspari conclui, com brilho, um projeto de fôlego que se tornara já referência mandatória para período importante de nossa história recente. Seus legados estão ainda presentes, não raro com dor e tristeza. Muitas de suas personagens sobrevivem na cena política. Protagonistas, alguns. Deuteragonistas, vários. Canastrões, tantos. Mambembes, diversos. E numeroso coro, ao centro, o centrão.

Os que vivemos esses anos, parte deles que seja, verão, na leitura, como os fios se atam, O que nos deixara aturdidos, o que não advinhamos, o que preferimos não ver. É sempre difícil entender a vida a caminho, em sua complexidade, contradições, bençãos e dramas simultâneos. Da distância da memória, da aspereza das cicatrizes ou da ressaca de celebrações murchas, estórias completam-se melhor na história.

Com a ajuda - é de justiça reconhecer - inestimável de Gaspari, de sua capacidade analítica, de sua coragem de procurar entender com a maior objetividade os fatos, sem justificá-los, nem tampouco limitar-se a demonizar atores. Mas sem perder jamais seu significado para o país e seu futuro.


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