As provocações de Ai Wei Wei


Ai Wei Wei espalhou suas provocações por todos os condados de N. York. A exemplo de tantos de nós, preocupa-se com o destino dos milhares, infelizmente milhões, de refugiados em todo o mundo. Nos EUA do hospitaleiro Trump ecoou, por toda a parte, o mais que questionável ditado de que uma boa cerca faz um bom vizinho. Na Union Square, sob o arco de triunfo que remete os EUA às narrativas épicas de sua afirmação nacional e às ideias inscritas na constituição daquele país, Wei Wei fechou o passo à glória com a gaiola da separação. Esse otimismo teimoso, renitente, que nos mantém vivos fez, porém, com que abrisse passo nesse muro ( lembra algo?) com os recortes de dois seres humanos. Que se amparam. Irmanados.

Junto ao Central Park e não muito longe do Trump Tower, nova homenagem: uma gaiola dourada impõe-se sobre o cenário urbano e antepõe-se à tranquilidade do Central Park. Nela podemos encontrar a sensação boa da suposta tranquilidade, e descobriremos, cedo ou tarde, o isolamento e a prisão a que nos condenamos. Por livre e espontânea vontade.

Ai Wei Wei sabe como poucos que a arte tem de inquietar. Empurrar-nos para esse espaço incômodo da dúvida e do questionamento.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso