o CD


Solange já registrou nosso encantamento com o show comemorativo dos 80 anos de Joel Nascimento no Teatro Municipal de Niterói. Volto ao tema em três drágeas.

No encarte do CD produzido e idealizado por Henrique Cazes (Joel Nascimento, som, estilo & improviso), o homenageado fala do trabalho como um CD-reportagem que, com efeito, também é. Diria, no entanto, algo mais. Henrique Cazes, referência mandatória para o cavaquinho e a música brasileira, faz aqui o trabalho de um curador. Garimpa gravações do Mestre Joel desde o registro em casa, em 1977, de Doce de Coco. Cazes pinça de 50 anos de trabalho momentos que marcam etapas nessa carreira longa e profícua.

O CD é o bandolim de Joel visto - melhor dizendo - ouvido por Henrique. Essa festa toda precedida de um texto sobre o estilo de Joel, feito com o conhecimento do músico e a qualidade do escritor a quem devemos, entre outros, O Choro do Quintal ao Municipal. E para completar, fotografias retiradas literalmente do fundo do baú e recuperadas por Marília Figueiredo.

O CD é assim um bicho raro e valioso. É música, de primeiríssima. É documento importante sobre aspectos de nota em 50 anos da nossa música. E é uma narrativa saborosa que nos permite saber, por exemplo, que a homenagem de Joel ao Villa, o "Moço do charuto" valeu-se de uma entidade para passar a Joel, bandolim debaixo do braço, o caminho para fechar, com o acabamento rigoroso do bandolinista, o trabalho que teimava suspenso em silêncio.


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