Você já foi à Beacon, nêga / Não / Então vá


Que Mestre Dorival Caymmi abençoe o empréstimo. Beacon não é a Bahia. Nada mais diferente. Igual, no entanto, a surpresa alegre que inunda a gente ao chegar.

No Dutchess County, a hora meia de trem ao Norte de Manhattan, um enorme galpão de estamparia e embalagens dos biscoitos Nabisco de antanho renasceu como o museu Dia:Beacon. Instalações, esculturas, objetos e pinturas de grande dimensão, com um pouco do muito de representativo da arte desde os 60.

Marcelo, nosso filho do meio favorito, escolheu com sabedoria: a viagem de ida e a de volta, no trem que margeia o Hudson, é essencial o passeio. Prepara nossa sensibilidade e nos dá tempo para anteciparmos a memória.

Dia:Beacon tem uma coleção fora do comum, como fora do comum é o espaço que nos permite descobrir o valor de cada ângulo de obras que, alhures, perderiam no confinamento a um espaço menor.

Onde mais poderíamos começar pelos caminhos de Walter de Maria, com o rigor de sua organização que aponta para o desconhecido? Ou teríamos, como na foto que não é do Dia:Beacon, a possibilidade de experimentar a passagem ininterrupta de uma a outra e mais outra dobratura gigantesca de Serra, como aqui. Onde finalmente deixar os olhos e a alma mergulharem, abruptos e maravilhados, nos relevos negativos de Heinz?

Compreende agora porque digo que, se Você não foi a Beacon, nega, então vá?


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso