e a mão sempre tira mais de quem menos tem...


O Globo do dia 12 traz matéria muito oportuna sobre o caráter regressivo da nossa política fiscal e carga tributária.

O Imposto de Renda para os mais ricos é na prática de 7%. Não foi por isso portanto que quebraram alguns dos nossos milionários mais notórios e exibicionistas.

Para os de classe média chega em termos efetivos a 12% do que ganham. Vai ver é por isso que tantos de nós nos mostremos sempre prontos a seguir a flauta de Hamelin atrás de ganhos fora do comum e de defensores desabridos do "a farinha pouca meu pirão primeiro".

Se em termos políticos o que está acima é muito preocupante, preparem o coração para cenas muito mais fortes. Coloquemos juntos impostos diretos e indiretos (como os que incidem sobre alimentos, por exemplo) a ver quem teria tudo para ser o Tiradentes da Nova Inconfidência.

Os 10% mais pobres da população são taxados em 53% do pouco que recebem. Donde, nada sobra mesmo. E como a desigualdade na distribuição de renda vem novamente se agravando a partir da metade do período Dilma, depois de ter melhorado com Fernando Henrique Cardoso e, mais fortemente ainda, com Lula, não esperem dias melhores a curto prazo.

Mas se Você estiver entre os 20% mais pobres, seu pedágio será algo menor: 35%. Pena que fique inviabilizada com isso nova expansão da chamada classe média brasileira, motor de arranque da economia de vento em popa do período Lula junto com os preços dos produtos de base.

Sorte mesmo têm aqueles que contam entre os 20% mais ricos: contribuem com 24% de seus ganhos para o Tesouro. Melhor que isso, só estar entre os 10% mais ricos. Pagam ainda um pouco menos: 23%.

Antes de votar,

procure ver o que pensa sobre isso quem irá receber seu voto. Não se trata “apenas” de uma questão de equidade, de justiça. É de viabilidade e inteligência econômica que estamos falando, ou alguém acredita em sã consciência que isso faça sentido e possa se manter indefinidamente?


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