em dose dupla


Vários políticos brasileiros parecem mesmo determinados a desacreditar a política. Cometem mais um crime contra a democracia. Mais uma marca nos seus congestionados carnês de baile de contravenções e crimes.

A simples proposta de votação secreta no Congresso deve ser tratada como crime hediondo e inafiançável. Absurdo e inconcebível que nossos representantes, eleitos para nos representarem, queiram esconder de nós como votam em nosso nome.

Mas como o seleto grupo parece incansável em sua desfaçatez, haja coragem ou, antes, resignação de nosso lado, para uma dose dupla do fel da indignação.

A conjura mal disfarçada e envergonhada, de oposicionistas e governistas, profissionais os mais variados dessa sopa de letrinhas do cenário político, insistem não apenas em travar a roda, mas intentam mesmo fazê-la retroceder. Procuram por meios e modos sustar para todo o sempre a prisão para os já apenados em segunda instância. A essa altura seria a consagração de uma Justiça de Castas.

Para os sem remédio, o advogado de porta de xadrez e a meia instância, o "teje preso” e a sentença sem começo nem fim. Para os remediados, o advogado à prestação ou a defensoria pública sobrecarregada e contrarrelógio, a falência definitiva das famílias endividadas, o pedágio de violência das prisões e, não. Raro, uma carreira no crime como opção única.

Para os que por berço, dinheiro ou função sentem-se com direito a sempiterna presunção de inocência, os processos intermináveis das mais finas filigranas jurídicas, e os recursos todos necessários até a prescrição das penas ou a amnésia geral. E que os claros exemplos dos paulos maluf e dos pimentas das neves os iluminem e protejam no aconchego dos justos.


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