Kara Walker e a ferida que não cicatriza


Kara Walker nasceu nos anos 70, na Costa Oeste dos EUA, em uma família de classe média negra – ou afroamericana se preferem – universitária. O pai, professor e pintor. A mãe, administradora.

Aos 13 anos acompanhou o pai contratado por uma universidade na Georgia. Descobriu o Sul. Que há ainda quem se vista de ódio e por detrás do capuz da Ku Klux Kkan vomite o discurso racista.

Kara trabalhou suas raízes na pintura e em recortes sobre panos soltos. Neles foi cuidar as feridas herdadas e que não fecham. E revelar, com força e sem um momento de autocomiseração, a selvageria, as violações sistemáticas, a coisificação cometidas contra seus antepassados e ela própria.

A obra de Kara tem uma presença ineludível. É uma das mais belas afirmações da vitalidade das artes neste país. Da sua importância chave para que melhor se compreenda a realidade de nossos tempos.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso