Vale a pena conhecer o original


Stanley Kubrick fez de A Clockwork Orange um marco do cinema. Nunca li a novela de Anthony Burgess que o inspirou. E por isso mesmo não resisti a ir assistir “offbroadway” montagem teatral inglesa do texto, em cima de um script do próprio Burgess.

No caso, valeu a pena conhecer a versão de Burgess para o palco. São diferentes como pera e maçã - já que falamos de frutas - conquanto elaborem sobre os mesmos temas: a violência; a inutilidade e a brutalidade da lavagem cerebral; a lobotomização social e o espaço que sobra para o arbítrio.

A montagem de Alexandra Spencer-Jones acumula acertos: a opção por 90 minutos corridos em um espaço limitado e neutro; a dramatização física da narrativa; seu ritmo sem pausa; a manutenção de referências claras ao vestuário imortalizado no filme de Kubrick. E conta com um elenco jovem, entusiástico e talentoso, encabeçado pelo carismático Jonno Davies.

Valeu! Levou-me de quebra a pensar sobre o título do livro, mantido no teatro e no cinema. A tradução para o português (Laranja Mecânica) é muito boa. Supostamente a expressão viria do inglês popular (queer as a clockwork orange). Burgess não


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