O status de Brad - um filme pouco comum


Há que se reconhecer: Hollywood, os Estados Unidos sabem fazer cinema muito bem. O que não quer dizer que façam necessariamente bom cinema. Nada contra o filme pensado primeiro como entretenimento. Não só dão melhor bilheteria como têm seu lugar no coração de todos. Quantas vezes daríamos o reino que nunca tivemos por um bom e honesto divertimento.

O problema - de sempre - é exagerar na dose. Em lugar da leveza, a banalidade. A inteligência é exilada e a burrice vira virtude. Resulta terminantemente proibido tratar de qualquer tema dito sério, mesmo que rebuçado de levezas.

O Status de Brad não traz credenciais que autorizem maiores expectativas. Mike White é diretor e roteirista experiente, com boa rodagem de Netflix de quebra. Ben Stiller é estrela de público e salário assegurados. E o resultado do filme, mostrado com muito boa receptividade no Toronto International Film Festival, é um trabalho inteligente sobre a competitividade doentia por status da classe média urbana dos EUA. Vale sem dúvida também para outros quadrantes e coordenadas.

A narrativa por monólogos interiores e a interação sempre expressiva entre pai e filho funcionam muito bem. E quando a gente se dá conta, o tempo passou e a vida em primeira pessoa nos chama de novo lá fora.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso