mas se ficar o bicho pega


O que fugiu ao controle foi o crescimento da dívida pública. Considerados apenas os "papagaios" federais, aumentou 11,42% em 2016. Deve fechar 2017 com mais outros 17,28%. Ainda assim fica em 81% do PIB. É pouco, se se pensa que alguns dos principais países desenvolvidos rodam a mais de 100% - e não estou falando de quem imprime dinheiro tendo sempre quem o compre....

É verdade também que, diferentemente da maioria dos países que não estão nesse primeiro grupo, as reservas internacionais garantem certo nível de conforto. E saldos, significativos, da balança comercial são gerados pelo agronegócio e a queda das importações.

A experiência de vários apertos ensina, no entanto, que se ficar o bicho pega, e a vaca vai pro brejo. Perdem-se reservas e a margem de autonomia que a realidade pode facultar. Entram as dietas forçadas do FMI e os desinteressados conselhos dos credores. Filmes já vistos e que gostaríamos de não ter derever.

A escolha do tratamento e a dosagem do remédio implicam decisões. A conta vai pesar mais para assalariados, profissionais liberais e desempregados? A mão será mais carinhosa com rentistas e todos os que gravitam no mundo financeiro? Opções desastradas ou desbalanceadas prolongam a recessão e aumentam o sofrimento dos tempos de maior dureza. São, por isso mesmo, injustas e burras - se medidas pela régua do bem de todos.


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