e a laranja e o limão rodavam no ar levando meus sonhos


Na Escola 7-3 México, da rede pública do Rio de Janeiro, nos idos de 50, imaginávamos o espaço enquanto a professora girava a lua ( um limão ) que rodava em torno da terra (a laranja) e os dois orbitavam em torno do sol em um balé incessante. A imaginação supria indícios de realidade com a mágica do crer. Só depois de Gagarin e dos americanos na lua foi possível ver o que só se alcançava sonhar com o apoio da indução ou dedução.

Talvez por isso mesmo tenha ainda hoje a necessidade de digerir lentamente a informação nova, até aceitá-la como um elemento da realidade ou da página do problema que quero entender. Mesmo que a informação já me chegue no hiperrealismo de uma fotografia em altíssima definição. Vá lá que tenha sido photoshop?! Suspeito esconda-se em cada afirmação explicitada com autoridade o enunciado de um novo dogma de fé. Agnóstico convicto, busco a laranja e o limão e saio a navegar estrelas.

Os governos comem quase sozinhos nosso pibinho de hoje, de uns magros US$1.796 bilhões. Já foi mais pibão, mas não é de se jogar fora. Está ainda no G-10. É uma fatia grande, verdade, cerca de 32% do PIB entre impostos diretos e indiretos, receitas diversas e contribuições sociais . A fatia é ainda maior em países como Dinamarca, França, Itália, Suécia - todos acima dos 40% - ou Alemanha (36%) e mesmo Reino Unido (ainda que por pouco). Dava portanto para encher a boca e dizer "coisa de primeiro mundo", salvo que nos coleguinhas a mordida é maior sobre renda e lucro de pessoas e empresas.

Donde, em vez de menos ou mais (vade retro!) impostos e contribuições, caberia procurar fazer com que afetem menos quem menos tem, inibam menos o risco empresarial e não penalizem a inovação.

Cuidar, enfim, que não agravem a iniquidade e a concentração da renda, e estimulem a competição e a produtividade.

Em 2018, quando estiver conferindo os currículos ou folhas corridas dos candidatos, valeria procurar saber também o que efetivamente pensam sobre esses pontos.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso