Assim de simples. E prá lá de bom.


Um Pai (Puzzle), monólogo com Ana Beatriz Nogueira no Teatro Maison de France, prova o valor da simplicidade na arte.

Receita simples como um banquinho e um violão. Uma boa adaptação prá teatro do texto de Sybille Lacan, por Evaldo Mocargel. A direção competente de Vera Holtz e Guilherme Leme Garcia: o cenário reforça a atemporalidade e a universalidade do tema; a luz apenas sublinha a interpretação; gestos simples como beber goles de água e apresentar ao espectador o cálice marcam que na liturgia do teatro celebra-se mais uma estória, uma verdade a mais.

Ana Beatriz Nogueira nos transmite a confissão pro diário da filha de Jacques Lacan. Não é um pai qualquer, nem menor é na verdade a filha. Mas o que diz, o que vive, vale prá muitos, se não todos os que passam pelo dolorido preenchimento da ausência do pai pela adoração silenciosa e subjugada de sua imagem agigantada.

Ana soa verdadeira todo o tempo: quando prende a emoção no distanciamento deliberado da fala, até o momento em que se entrega à emoção para encontrar, talvez, a paz da verdade. Da sua verdade.

Assim de simples. Assim de bonito. Prá lá de bom.

#UmPaiPuzzle #AnaBeatrizNogueira

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