O improviso, a liberdade e a democracia. Ou: salve Esdras e Bocato


Há tempos Wynton Marsalis disse que o jazz, a democracia e os Estados Unidos têm muito em comum. Houve polêmica: afinal o jazz não é Denominação de Origem Controlada nem propriedade de ninguém; não dá para esquecer o peso da democracia sobre os escravos nas raízes do jazz; e há quem questione a liberdade no jazz do próprio Marsalis. Como negar, porém, que o improviso no jazz (e em alguns outros gêneros musicais) é um ensaio de liberdade que só é possível pelo respeito à liberdade alheia e a um conjunto simples de regras. Nem tampouco que a história do jazz, de seus expoentes e bandas é um hino à diversidade.

Na alma do chorão, como na do jazzista e intérpretes brasileiros dos mais distintos gêneros é comum encontrarem-se esse mesmo amor pelo improviso e essa mesma paixão por se deixar ir, ainda que por tempo determinado, na liberdade que a música pode oferecer.

Hoje comemorei, uma vez mais, a Pátria com música, um pouco do muito que tem de bom a gente brasileira. E comparto com os amigos o video de Na Tardinha, com o quinteto de Esdras Nogueira mais o trombonista Bocato, gravado no SESC Consolação. Menos usual, a apresentação começa com um solo da bateria do Thiago Cunha. Após a introdução do tema por seu autor, Esdras, Marcus Moraes na guitarra e Rodrigo Balduíno no baixo improvisam e dialogam. Já tinha valido a gravação. O Quinteto, com a percussão de Leo Barbosa, o sax barítono de Esdras e o extra do veterano trombone de Bocato estava impecável.

Quando há tanta coisa boa, pode parecer ilógico por em destaque o que seja. Por vezes, no entanto, produz-se um encontro único e esse veio nos solos e tocante diálogo de Esdras e Bocato que despertam, um a um, todos os encantos da música.

É de lavar a alma. Dá vontade de dar vivas ao improviso, à liberdade e à democracia. E, claro, a Esdras e Bocato.

#EsdrasNogueira #Bocato #SESC #MarcusMoraes #LeoBarbosa #RodrigoBalduíno #ThiagoCunha

©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso