E Nelson (quem diria?) estava na Casa de Baco


Tenho escancarada admiração pela paixão com que a gente da música e do teatro arma seu palco para nos trazer seu trabalho. Com a Sala Cecília Meirelles o trecho da Rua da Lapa que dá para o Passeio foi "regentrificada" e promovida às primeiras páginas de guias turísticos. A parte maior que avança em direção à Glória segue pulsando nos sobrados desalinhados, sempre pedindo tinta mas nunca vazios de vida. Pois foi nessa "off Lapa da Lapa" que Solange e eu revimos Nelson na acolhedora Casa de Baco.

Quem soprou prá nós foi Nina Mendes, atriz e diretora brasileira que encenou Nelson Rodrigues no palco dedicado a Samuel Beckett do Trinity College em Dublin. E com ela testemunhamos essa bemfazeja reaparição de Nelson na pele de seu neto Sacha.

Não era o Nelson que soltava Jocastas e Medeias na Praça Bandeira e revelou a dimensão trágica tanta vez abafada em nossas vielas quotidianas. Era outro (foram tantos, sendo sempre um), o Nelson da Vida Como Ela É. O cronista que mal escondia o fato de ser o primeiro a sofrer com o retrato desapiedado e cínico que nos apresentava.

Pois lá estava ele. Corpo e alma, no texto bem resolvido de Rodrigo Brand e direção de Delson Antunes. No intimismo do palco em que continua o espaço acanhado da plateia. No mesmo plano personagens e espectadores, para que Nelson (inspirador e personagem) interaja com uns e outros. O jovem e talentoso grupo formado por Bruno Lamberg, Du Teixeira, Fernando Esteves, Kel Cogliatti e Sacha Rodrigues garante a credibilidade e a empatia de nossos espelhos.

#NelsonRodrigues #SeeufosseNelson

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