A volta do irmão do Henfil: a atualidade de Betinho


Faz 15 anos Betinho personificava o Movimento pela Ética na Política. A conjunção perversa de irresponsabilidade e despreparo administrativos do desgoverno Collor com corrupção crescente e generalizada punha em sério risco as conquistas obtidas desde a chamada redemocratização do país.

Betinho dava voz a todos os brasileiros invisíveis, independentemente das convicções políticas, confissão religiosa , consciência agnóstica ou orientação sexual. O mais importante, para cada um de nós e para todos os demais, era o compromisso definitivo com a ética. Podia soar pouco. Ser confundido ou travestido, ingênua ou maliciosamente, com a retidão verborrágica do udenismo de antanho. Era e ainda é uma ideia simples de irresistível força.

A Constituição Cidadã refletiu a opção do Brasil pela democracia representativa, com o respeito às liberdades individuais e aos Direitos Humanos. O processo de reinstitucionalização do país iniciado com Sarney e o bemvindo, ainda que tardio, reconhecimento coletivo da existência da fome – por que tanto devemos também a Betinho – perigavam ficar a meio caminho. Valeu-nos a convocação multitudinária à ética.

Se nossa indignação não se tornasse visível, dificilmente haveria a responsabilidade fiscal dos períodos Fernando Henrique e Lula, nem a maior ênfase às políticas públicas de combate à pobreza e à desigualdade no período desse último.

O primeiro passo para o voto em 2018 deve ser a avaliação cuidadosa da folha corrida dos candidatos e da credibilidade de seu compromisso com a ética. Por sorte Betinho e tantos outros voltaram ao Brasil. É preciso que voltem agora do esquecimento: trazê-los e aos seus chamamentos pela ética ao primeiro plano da razão e da emoção.

#Henfil #Betinho

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