Florence "Macbeth" Plugh e a Inglaterra profunda do final do século XIX


Mundo, mundo, vasto mundo...Nikolai Leskov publicou em 1865 uma pequena novela: Lady Macbeth de Mtsensk. Dmitri Shostakowski transformou-a em ópera estreada em 1934. William Oldroyd sai do teatro inglês para a telona em 2016 e leva essa "outra" Lady Macbeth para a Inglaterra rural do fim do século XIX. A "nova" Senhora é apenas uma moça saudável, comprada com alguma terra improdutiva por seu sogro para que o filho, curtido em anos e na riqueza brutal da mineração, dê-lhe herdeiro apresentável à melhor sociedade vitoriana.

A Lady Macbeth de Oldroyd não persegue obsecada o poder, nem sucumbe à culpa irredimível. Prisioneira da crueldade e indiferença do Pastor da aldeia, do Sogro Senhor de Terras e do Marido Senhor das Almas Baratas - a trindade do Império - quer tão somente ser minimamente sujeito de sua vontade e vida.

A moça simples do campo mostra-se porém à altura da mulher cega de ambição que Shakespeare imortalizara séculos atrás, na fúria desapiedada e vingadora. Pagarão outros por seus crimes, mas lhe tocará o pior destino: o de assumir o papel de seus algozes para perpetuar seu Fato.

Se a versão da estória é fascinante, a interpretação de Florence Pugh é simplesmente mesmerizante. Oldroyd tem a lucidez e a sensibilidade de enquadrá-la com precisão e delicadez, em sequências de curto desenvolvimento que se sobrepõem na tela e continuam na nossa imaginação.

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