Os "godfathers" da Zona Oeste


Alexandre Fraga é da Polícia Federal. Tem no currículo "Quando os demônios vão ao confessionário"(2002), "Canibal de Copacabana" (2008) e "Oeste" (2014). Raphael Montes, em sua sempre estimulante coluna semanal em O Globo, listou esse último entre os muitos excelentes livros que passaram batido pela crítica. Mal mereceram registro - sustenta - porque se despreza a boa literatura de entretenimento. No cinema se passa algo semelhante. Reconhecer esse tipo de trabalho seria talvez a confissão de um espírito demasiado pedestre.

Oeste narra a guerra do jogo do bicho nos anos 90, no Rio de Janeiro, quando os banqueiros acrescentavam ao vale o que está escrito dos apontadores das esquinas e praças a sedução barata das maquininhas caçaníqueis. Barata, mas capaz de fazer fortunas e de justificar guerras sem quartel.

Fraga escreve sobre um mundo que conheceu de perto. O mundo da contravenção e do crime como modo de vida: ganhapão de peões e base da riqueza dos reis. Um mundo de limites por vezes imprecisos e complacentes entre o contraventor, o matador, o policial militar, advogados, policiais federais, promotores e juízes.

O relato, sempre forte mas sem concessão ao gratuito, projeta as múltiplas faces dos atores, maiores ou menores, desse drama que reflete também, a um só tempo, frustrações, aspirações, virtudes e defeito dos que dele não participamos, a não ser circunstancialmente quando fazemos nossa fezinha ou nos deixamos enfeitiçar pelas maquininhas barulhentas da grande sorte impossível.

O talento de Fraga dá à narrativa grandeza. Seguimos mesmerizados conquistas e derrotas dos Padrinhos da Zona Oeste. Das diferentes zonas das cidades maiores deste nosso país. Já espero ansioso por um Oeste II...

#AlexandreFraga #Oeste #TaphaelMontes

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