O jantar secreto de Raphael Montes


Raphael Montes é um jovem escritor e colunista de O Globo. O adjetivo no caso vem com admiração e regozigo, em reconhecimento ao muito que já fez e à expectativa do muito que ainda fará. Recentemente ainda em duas ou três de suas colunas semanais deu-nos uma das mais completas revistas da literatura policial/de crime no Brasil. Também recentemente publicou um dos mais instigantes livros dessa "categoria": Jantar Secreto.

Imagino seja muito difícil escrever um poema, uma novela, um romance. O que vai ou escapa de pessoal pro trabalho explicará porque, às vezes, se tem a impressão de que um determinado autor segue reescrevendo a mesma estória. Aqui e ali para a sorte nossa, ainda que nem sempre.

A estória que sai da investigação policial ou da memória do crime que o diabo a cada dia nos sugere leva, necessariamente, o autor a cenários físicos e sociais diversos, a incursionar pelo quotidiano ou por mundos totalmente estranhos às nossas vidas. O jantar secreto de Raphael Montes é oferecido nas estantes como literatura policial, no caso, de crime, mas não outro crime qualquer na rotina da insensibilidade com que o noticiário nos blindou.

Romance negro, raconto absurdo, teatro de sangue, a escolher. Dentre as várias leituras possíveis - uma qualidade a mais - fico com a da denúncia que impressiona o público, do hedonismo sem limite dos que crêem ter o poder ilimitado. Comparado, Venceslau Pietro Pietra, o gigante Piaimã (e não será à toa que me vem a lembrança de Macunaíma) parece mais humano e, como tal, capaz de merecer até alguma compreensão.

#RaphaelMontes #JantarSecreto

©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso