Ao som de Mestre Paulinho da Viola


Por muito tempo mantive-me longe do Facebook. Achava – e ainda acho – que, exercendo, por razões de ofício, as funções de servidor público brasileiro número 1 nas cidades e países estrangeiros em que servia, qualquer exposição de minhas convicções políticas – a que tenho direito e às quais nunca renunciei no momento de votar – poderia causar constrangimento ou perda de confiança de parte da comunidade brasileira nessa cidade ou país. Somos uma sociedade plural e a democracia é a opção da gente brasileira. Cabia-me servir a todos com igual disposição e respeito. Ainda mais que a diplomacia, como algumas outras carreiras, é função de Estado e não simples instrumento do governo de turno.

A aposentadoria deixou-me disponível para o Facebook. Deu-me também a possibilidade de usufruir do grande prazer de poder falar mal do governo, qualquer que seja ele, com a irresponsabilidade que desconhece solenemente as limitações que os administradores têm de enfrentar e a impossibilidade humana de agradar ao mesmo tempo e com a mesma intensidade a todos. Não deixa porém de ser uma espécie de licença poética, como cutucar o ridículo alheio ignorando definitivamente o espelho. Algo, enfim, que vez por outra nos permitimos cometer como pecadilho menor e desculpável.

Sempre gostei imenso de conversar com os amigos e colegas, sobre os mais diferentes temas. Sem demagogia, aprendi muito com eles. Creio que, também, graças a eles e a nosso dialogo, logrei vez por outra formular melhor – ou menos mal – meu raciocínio sobre os múltiplos assuntos de nosso quotidiano.

Começo hoje este “observatório do quotidiano” como uma extensão desses encontros. Difícil dizer como será. Para os que não somos craques, dar tratos à bola e banzar livremente muita vez ajuda a desentender menos – como diz Paulinho da Viola - as coisas que estão nesse mundo e que a gente precisa aprender.


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