Ponte ou pinguela?


Ponte ou pinguela, dificilmente o Governo Temer chegará às eleições de 2018. E se chegar, chega mal: com canetaços que, tal como mensalões e mensalinhos, em lugar de construir acordos, compram votos. Esse comércio além de crime e de atentar contra a ética, é ineficaz: quem está nesse tipo de mercado para vender, vende não importa a quem, sempre que receba mais...Donde a prática da corrupção tampouco pode garantir a governabilidade a médio e a longo prazos.

O Governo Temer agoniza. Os partidos, grandes, médios e nanicos mal conseguem juntar seus cacos. Pode até acontecer – e que os anjos digam amém – que se consiga um zelador definido por exclusão e consenso, no desespero de todos, protagonistas e partidos, por um mínimo de ar e de tempo para encontrar o caminho para a sobrevida política, lograr sair ou escapar da cadeia. Seria uma espécie de ponte flutuante com validade limitada até o final da campanha e as eleições de 2018.

O novo Presidente, homem ou mulher, banco ou preto, janota ou pé rapado, virgem de malfeitos ou pecador arrependido, dificilmente, também, contará com maioria, sólida e confiável, no Congresso. Donde a sorte de seu Governo – e de nós, seus governados – dependerá mais do Congresso que das boas intenções e – oxalá – as muitas virtudes do Presidente.

Os diretores-delatores da JBS jactam-se de ter comprado 1 de cada 3 congressistas. Um terço do Congresso pode impedir ou garantir até mesmo a maioria especial exigida, por exemplo, para aprovação de emenda constitucional.

Meu sonho de consumidor-cidadão para 2018 é ver 30% dos congressistas eleitos comprometidos séria e honestamente com os seus eleitores, suas causas e interesses legítimos e legais. Uns 30% - pra começar – que votem por convicção e motivação política transparente e lícita. Uns 30% que não tenham à venda seu voto, alma e dignidade.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso