O acordo ideal é a melhor distribuição da insatisfação entre os participantes


Políticos envolveram-se em alguns dos piores casos de corrupção já descobertos. Fraudaram as justas expectativas de seus eleitores e não se interessaram o mínimo em procurar representá-los condignamente. Assim na terra como no céu. No Brasil e alhures. Com diferenças de moedas, línguas e percentuais - sem dúvida.

No caso do Brasil, no entanto, começo a achar que seu crime maior foi fazer-nos a quase todos descrer da política e de seus atores.

Não creio em democracia direta. Nem mesmo nas famílias pós-pílula reunidas em torno da mesa para o almoço de domingo, muito menos em um país de 206 milhões de habitantes, cada qual com seus interesses tão legítimos quanto os de todos os demais.

A democracia representativa, em que elegemos quem fale por nós no Congresso e nas Câmaras, é a menos pior das opções. Ditaduras de todos os matizes podem ser até eficientes em pontos específicos do interesse de quem as controla. Por isso somente poderia aceitar governos de força se fosse eu o governante, seu mentor ou sócio maior. Mas entendo, perfeitamente, que essa hipótese não agrade a ninguém mais...

Na democracia representativa são os políticos que têm de representa os múltiplos interesses na sociedade e busca a regra possível a ser aplicada a todos. A que pareça menos prejudicial ou a mais favorável, não só no curto mas também no médio e longo prazos.

Ao fim e ao cabo, o acordo ideal é a melhor distribuição da insatisfação entre os participantes. Em um determinado momento. E em um dado local. Resulta inútil ou infantil acreditar no paraíso sobre a terra, em que a um de nós seja dada a graça – por virtude própria – de pairar sobre o bem e o mal. E acertar sempre.


©2017 criado por Afonso José Sena Cardoso